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Métodos de Estudo4 de abril de 202611 min de leituraMemoFlashy

5 Erros de Estudo que Estão Te Reprovando em Concursos

Descubra os 5 erros de estudo mais comuns entre concurseiros, comprovados por pesquisas científicas, e aprenda como corrigi-los para melhorar sua retenção e aumentar suas chances de aprovação.

Introdução

Você estuda horas por dia, assiste a todas as aulas, faz resumos caprichados — mas na hora da prova, trava. O conteúdo parece familiar, mas não vem. O resultado sai e, mais uma vez, a nota ficou abaixo do corte.

Se isso já aconteceu com você, o problema provavelmente não é falta de esforço. É como você estuda.

A ciência da aprendizagem mostra que as técnicas de estudo mais populares entre concurseiros são justamente as menos eficazes. Uma meta-análise publicada por Dunlosky et al. (2013) na Psychological Science in the Public Interest avaliou 10 técnicas de estudo comuns e classificou várias delas — incluindo releitura, grifar e resumir — como de baixa utilidade para retenção de longo prazo.

Neste artigo, vamos apresentar os 5 erros mais comuns que impedem concurseiros de avançar, o que a ciência diz sobre cada um, e como corrigi-los.


Erro #1: Reler o Material Sem Testar o Que Aprendeu

Reler é a técnica de estudo mais popular do mundo — e uma das menos eficazes.

Quando você relê um texto, seu cérebro reconhece as palavras e frases. Isso cria uma ilusão de fluência: o conteúdo parece familiar, então você acredita que sabe. Mas reconhecer não é a mesma coisa que lembrar. Na prova, você precisa resgatar a informação da memória, sem o texto na sua frente.

O que a ciência diz

Roediger e Karpicke (2006), em estudo publicado na Psychological Science, compararam dois grupos de estudantes: um grupo que releu o material e outro que praticou recuperação ativa (tentou lembrar o conteúdo sem consultar). Após uma semana:

  • O grupo que releu esqueceu 56% do que havia aprendido
  • O grupo que praticou recuperação ativa esqueceu apenas 13%

A diferença é brutal. E o mais interessante: em um teste feito 5 minutos após o estudo, o grupo da releitura se saiu levemente melhor. Ou seja, a releitura dá uma falsa impressão de que está funcionando — ela funciona no curto prazo, mas falha quando mais importa: semanas e meses depois, na hora da prova.

Como corrigir

Substitua a releitura por recuperação ativa. Em vez de reler seus resumos, feche o caderno e tente lembrar o que estudou. Use flashcards — o simples ato de ver uma pergunta e tentar responder antes de ver a resposta já ativa os mecanismos de memória que a releitura não ativa.


Erro #2: Grifar e Sublinhar como Método Principal de Estudo

Grifar trechos importantes é quase um reflexo para muitos estudantes. Parece produtivo: você está destacando o que importa, organizando visualmente o conteúdo. Mas a verdade é que grifar é uma atividade quase passiva — seus olhos passam pelo texto, sua mão move o marca-texto, mas seu cérebro não está sendo desafiado a processar a informação de verdade.

O que a ciência diz

A meta-análise de Dunlosky et al. (2013) classificou o grifo/sublinhado como técnica de baixa utilidade. Os pesquisadores avaliaram que grifar "não melhora o desempenho em testes que exigem inferências", e pode até prejudicar ao dar ao estudante a falsa sensação de que o conteúdo grifado já foi aprendido.

Uma meta-análise posterior de Donoghue e Hattie (2021), publicada na Frontiers in Education e abrangendo 242 estudos com mais de 169.000 participantes, confirmou esses achados: técnicas passivas como grifo e releitura tiveram os menores efeitos sobre a aprendizagem.

Como corrigir

Use o grifo como primeiro passo, não como método final. Grife os pontos-chave durante a primeira leitura, mas depois transforme esses trechos em flashcards ou questões de revisão. O grifo marca o que é importante; a recuperação ativa é o que fixa na memória.


Erro #3: Estudar Tudo de Uma Vez e Não Revisar

Esse é o erro clássico do concurseiro que estuda Direito Constitucional na segunda, Administrativo na terça, Penal na quarta — e quando chega no fim do mês, não lembra mais o que estudou na primeira semana. A cada nova disciplina, o conteúdo anterior vai sendo esquecido.

O problema tem nome: prática massiva (massed practice). É estudar um assunto intensamente em uma única sessão, sem revisões programadas nos dias e semanas seguintes.

O que a ciência diz

Cepeda et al. (2006) conduziram uma meta-análise de 317 experimentos publicada no Psychological Bulletin. O resultado: a prática distribuída (espaçada) superou a prática massiva em 259 de 271 comparações — uma taxa de superioridade de 96%.

Em outras palavras: distribuir o estudo ao longo do tempo funciona melhor que concentrá-lo em quase todos os cenários testados pela ciência.

Bahrick et al. (1993), em um estudo publicado na Psychological Science, acompanharam participantes por 9 anos e demonstraram que sessões espaçadas com intervalos de 56 dias produziram retenção comparável a sessões com intervalos de 14 dias — mas com metade do número de sessões. A repetição espaçada não só melhora a retenção, como economiza tempo.

Como corrigir

Adote um sistema de repetição espaçada. Em vez de "estudar e seguir em frente", programe revisões do conteúdo em intervalos crescentes: 1 dia depois, 3 dias depois, 1 semana depois, 2 semanas depois. Algoritmos como o SM-2 — usado por plataformas como o MemoFlashy — fazem esse cálculo automaticamente para cada card que você estuda.


Erro #4: Estudar com o Celular ao Lado

Você senta para estudar, coloca o material na mesa, e começa. Cinco minutos depois, o celular vibra. Você dá "uma olhada rápida" no WhatsApp. Responde uma mensagem. Vê uma notificação do Instagram. Quando percebe, já se passaram 10 minutos e você nem lembra em que parágrafo parou.

Essa interrupção constante tem um custo cognitivo enorme — e a maioria dos estudantes subestima o impacto.

O que a ciência diz

Rosen, Carrier e Cheever (2013), em estudo publicado na Computers in Human Behavior, observaram 263 estudantes durante 15 minutos de estudo em seus ambientes reais. O resultado: os estudantes mantiveram foco na tarefa por menos de 6 minutos antes de se distrair com tecnologia (redes sociais, mensagens, notificações). Estudantes que acessaram o Facebook pelo menos uma vez durante os 15 minutos tiveram notas mais baixas.

A pesquisadora Gloria Mark, da Universidade da Califórnia, demonstrou que após uma interrupção, leva em média 23 minutos para recuperar o nível de concentração anterior. Não são 23 segundos — são 23 minutos. Se você se distrai a cada 6 minutos, nunca atinge concentração plena.

E o problema vai além de perder tempo. Patterson (2017), em revisão publicada na Computers in Human Behavior, mostrou que estudantes que fazem multitarefa conseguem reter informações factuais superficiais, mas têm dificuldade em aplicar o conhecimento a situações novas — exatamente o tipo de transferência que bancas como CEBRASPE, FCC e FGV cobram.

Como corrigir

  • Coloque o celular em modo silencioso e fora do campo de visão durante as sessões de estudo. Não basta virar a tela para baixo — se o celular está visível, seu cérebro gasta energia resistindo à tentação
  • Use blocos de estudo de 25-50 minutos (técnica Pomodoro) com pausas curtas entre eles
  • Reserve horários específicos para checar mensagens e redes sociais
  • Se precisar do celular para estudar (revisão de flashcards, por exemplo), desative todas as notificações de apps não relacionados ao estudo

Erro #5: Só Assistir Aulas e Não Praticar Ativamente

É reconfortante assistir a um professor explicando a matéria. Você entende tudo na hora, faz anotações, se sente produtivo. Mas assistir aulas é, na maioria das vezes, uma atividade passiva — seu cérebro está recebendo informação, mas não está sendo forçado a processá-la em profundidade.

Muitos concurseiros caem na armadilha de gastar 80% do tempo de estudo em aulas (presenciais ou em vídeo) e apenas 20% em prática ativa (questões, flashcards, simulados). A proporção deveria ser inversa.

O que a ciência diz

Freeman et al. (2014), em meta-análise publicada na Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS) com 225 estudos, compararam aprendizagem ativa versus aulas expositivas tradicionais:

  • Alunos em aulas ativas tiveram notas 6 pontos percentuais maiores em média (equivalente a 0,47 desvio-padrão)
  • Alunos em aulas passivas tinham 1,5 vez mais chance de reprovação (taxa de reprovação 55% maior)

Os autores do estudo escreveram que se esses dados viessem de um ensaio clínico médico, o estudo teria sido interrompido por razões éticas — continuar com o grupo de controle (aulas passivas) seria considerado prejudicial aos participantes.

Karpicke e Blunt (2011), em artigo publicado na Science, demonstraram que a prática de recuperação ativa (retrieval practice) melhorou a aprendizagem em 1,5 desvio-padrão em comparação com estudo elaborativo usando mapas conceituais. É uma diferença enorme.

Como corrigir

Use aulas como ponto de partida, não como destino final. Após assistir a uma aula ou ler um capítulo:

  1. Feche o material e tente lembrar os pontos principais (recuperação ativa)
  2. Crie ou revise flashcards sobre o conteúdo
  3. Resolva questões da banca sobre aquele tema
  4. Explique o conteúdo em voz alta como se estivesse ensinando alguém

A regra prática é: se você não está se sentindo minimamente desafiado, provavelmente está estudando de forma passiva.


O Padrão por Trás dos 5 Erros

Perceba que todos os 5 erros têm algo em comum: são formas de estudo passivo — atividades em que o cérebro recebe informação mas não é forçado a processá-la e resgatá-la. A ciência é clara: estudo ativo supera estudo passivo em praticamente todos os cenários testados.

Erro (Passivo)Correção (Ativo)
Reler o materialRecuperação ativa (flashcards, auto-teste)
Grifar e sublinharTransformar grifos em perguntas e cards
Estudar sem revisarRepetição espaçada com intervalos crescentes
Multitarefa com celularBlocos de foco sem distrações
Só assistir aulasPraticar com questões, flashcards e explicações

Como o MemoFlashy Ajuda a Corrigir Esses Erros

O MemoFlashy foi construído especificamente para combater esses erros:

  • Recuperação ativa a cada card: Cada flashcard exige que você resgate a resposta da memória antes de ver a resposta — eliminando a releitura passiva
  • 6 tipos de atividade (conceito, verdadeiro/falso, múltipla escolha, lacuna, associação, ordenação) que testam o conhecimento por múltiplos ângulos
  • Repetição espaçada automática com o algoritmo SM-2, que calcula o intervalo ideal de revisão para cada card
  • Sessões curtas e focadas — 15 a 20 minutos de revisão diária é suficiente para manter o conteúdo fresco
  • Gamificação (XP, sequências diárias, missões, conquistas) que transforma o estudo ativo em hábito

Conclusão

Se você está estudando há meses e os resultados não aparecem, provavelmente não é porque você é incapaz ou porque o concurso é impossível. É porque as técnicas que você usa não são compatíveis com a forma como seu cérebro aprende e retém informação.

A boa notícia é que a correção é simples — não fácil, mas simples. Troque releitura por recuperação ativa. Troque estudo concentrado por repetição espaçada. Troque multitarefa por foco. Troque passividade por prática.

Os concurseiros que entendem como o cérebro funciona estudam menos horas e retêm mais conteúdo. Não é mágica — é ciência.

Referências

  • Dunlosky, J., et al. (2013). "Improving Students' Learning With Effective Learning Techniques." Psychological Science in the Public Interest, 14(1), 4-58.
  • Donoghue, G. M., & Hattie, J. A. (2021). "A Meta-Analysis of Ten Learning Techniques." Frontiers in Education, 6, 581216.
  • Roediger, H. L., & Karpicke, J. D. (2006). "Test-Enhanced Learning: Taking Memory Tests Improves Long-Term Retention." Psychological Science, 17(3), 249-255.
  • Karpicke, J. D., & Blunt, J. R. (2011). "Retrieval Practice Produces More Learning than Elaborative Studying with Concept Mapping." Science, 331(6018), 772-775.
  • Cepeda, N. J., et al. (2006). "Distributed Practice in Verbal Recall Tasks: A Review and Quantitative Synthesis." Psychological Bulletin, 132(3), 354-380.
  • Bahrick, H. P., et al. (1993). "Maintenance of Foreign Language Vocabulary and the Spacing Effect." Psychological Science, 4(5), 316-321.
  • Freeman, S., et al. (2014). "Active Learning Increases Student Performance in Science, Engineering, and Mathematics." Proceedings of the National Academy of Sciences, 111(23), 8410-8415.
  • Rosen, L. D., Carrier, L. M., & Cheever, N. A. (2013). "Facebook and Texting Made Me Do It: Media-Induced Task-Switching While Studying." Computers in Human Behavior, 29(3), 948-958.
  • Patterson, M. C. (2017). "A Naturalistic Investigation of Media Multitasking While Studying and the Effects on Exam Performance." Teaching of Psychology, 44(1), 51-57.

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